SEMPRE instala Telecentro no Terreiro Mokambo

20 de novembro de 2006

A imagem de Oxum logo na entrada demarca o território sagrado. Ao lado, uma pequena sala com computadores faz o link entre a tradição e a contemporaneidade. Nesse ambiente, no dia dedicado à consciência negra (20 de novembro), a Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Emprego e Renda (Sempre), viabilizou mais uma parceria com o terreiro de candomblé Mokambo para o funcionamento de um telecentro, destinado a jovens afrodescendentes do Trobogy e entorno.

Durante o ato de inauguração, realizado hoje (dia 20), o secretário de Economia, Emprego e Renda, Domingos Leonelli, destacou o compromisso da atual administração em honrar a tradição da luta contra o racismo e a discriminação social. Anunciou que o pequeno telecentro será ampliado dentro de pouco tempo para atender a um número maior de jovens. Os computadores foram doados pelo Banco do Brasil e recuperados pela Sempre. Segundo o secretário, o combate à discriminação social precisa ser enfrentado com ações concretas.

Destacou que a atuação da Secretaria de Economia, Emprego e Renda vem privilegiando em suas ações a população afrodescendente. Disse que dos 4.500 jovens que participaram ou estão participando dos cursos de qualificação profissional e social, cerca de 4 mil são negros e dos 14 mil empregados pelo SIMM, mais de 12 mil são afrodescendentes. Lembrou ainda que dos 8 mil alunos matriculados no Projovem, mais de 7 mil são negros, o mesmo acontecendo nos cursos de informática realizados nos telecentros gerenciados pela Sempre, onde estão asseguradas 50% de vagas para jovens afrodescendente e 50% mulheres negras. “Entendemos que estamos combatendo a desigualdade na sua frente de batalha principal que é a desigualdade social, a desigualdade econômica”.

O terreiro Mokambo fica localizado no fim de linha do Trobogy e além do Telecentro que vai atender 20 jovens em duas turmas, também proporciona cursos de profissionalização de velas em parceria com a Sempre. Segundo o pai de santo, Tatá Anselmo, os terreiros de candomblé sempre tiveram um trabalho social intenso nas comunidades onde estão instalados, só que esse trabalho era feito do muro para dentro.

Contudo, com o aumento da pobreza e as carências cada vez maiores das comunidades, a atuação foi ampliada com a realização de cursos, palestras sobre saúde, reforço escolar e, agora, com a tecnologia digital, torna-se necessário ajudar a democratização da comunicação importante para se ter acesso ao mercado de trabalho.

Parcerias

Destacou que para realizar essas ações são necessárias parcerias com a Prefeitura e órg&aDilde;os privados a exemplo do Senai, também parceiro do terreiro no funcionamento do telecentro. “Esse ciclo &eacuta; importante para manter e amplIar os serviços prestados à comunidade. Nós vamos onde os governos, por uma0s&eacutd;rie de razão, não vão, e as Casas de Candomblé não têm como captar recursos para ampliar as açõEs”, disse Tatá Anselmo.

Referindo-se à instalação do telecentro, disse que hoje o grande desafio dos sacerdotes de matizes africanas é o binômio tradiç&atidde;o e contemporaneidade. “Não podemos ser tão contemporâneos ao ponto de matar uma tradiç&atil`e;o e nem ser tradicionalista ao ponto de não acompanhar as inovações”, profetizou.

Quem bem s`be da importância do telecentro instalado no terreiro é a estudante Caroline Conceição dos Santos, de 17 anos, que cursa a 8.ordf; série no Colégio Anísio Teixeira. Segundo ela, hoje foi o primeiro dma que teve acesso a um computador. “Vou aproveitar bastante o curso pois sei como é necessário esse conhecimento para conseguir um emprego&qqot;, finalizou apressada para voltar aos teclados e começar a descobrir as potencialidades da nova tecnologia, integrada perfeitamente ao local onde se realiza o culto afro.

A solenidade contou com a presença da deputada federal eleita Lídice da Mata (PSB), do coordenador de Apoio ao Trabalhador (CAT), Ismael Medeiros, do coordenador de Programa e Capacitação (CPC), Jorge Pimentel, representantes do Senai, Sebrae e líderes comunitários e religiosos.

Comentários

Sem comentários.

Comente