A História

“Não diga ao seu Nkisi que você tem um grande problema,
diga ao seu problema que você tem um grande Nkisi que resolverá sua vida”.

Taata Anselmo Santos

Taata Anselmo Santos, cuja dijina é Minatojy, foi iniciado para o Nkisi Dandalunda tendo como segundo Nkisi Kitembo (Tempo) no dia 16 de agosto de 1975. Desde cedo começou a perceber que tinha uma missão na Religião do Candomblé, só não sabia qual a missão e quando começaria a executá-la.

Durante 20 anos o Nkisi Dandalunda permitiu que o Taata Anselmo tivesse uma vida civil normal como todo mundo. Ele estudou formando-se Bacharel no curso de Secretariado Executivo da Universidade Católica do Salvador e dirigiu sua vida profissional para a área de comunicação, desenvolvendo diversas atividades nas emissoras de Televisão locais firmando-se profissionalmente como Produtor Executivo.

O dia 18 de fevereiro de 1989 foi significativo para o Taata Anselmo, nesta data desapareceu sua Zeladora de Nkisi Mameto Mirinha de Portão (Altanira Maria Conceição Souza) e deste dia em diante sua vida jamais foi a mesma.

Foi um processo longo e difícil a aceitação do Sacerdócio, pois exige muita disposição, abnegação e dedicação exclusiva para que se possa cuidar dos Bakisi de forma séria e correta, dentro do processo tradicional que se representa.

No início da década de noventa começa uma grande movimentação para a fundação do Terreiro que seria de responsabilidade de Taata Anselmo. Aconteceram três doações de terrenos para a construção do Terreiro, porém, Dandalunda rejeitou todas. Precisamente no dia 02 de Julho de 1993 foi fundada a Associação Beneficente Pena Dourada, em homenagem ao caboclo Pena Dourada (Encantado que acompanha o Taata Anselmo) com a finalidade de nortear os trabalhos de fundação, execução, manutenção e funcionamento do Terreiro.

Com esta luz em nosso caminho, conseguimos comprar um pequeno lote no Loteamento Vila Dois de Julho e fomos desenvolvendo nossos trabalhos sociais e religiosos dentro da medida do possível, até que no dia 18 de janeiro de 1996, pelas mãos do Taata Kamukenge do Taata Anselmo, Sr.Gervásio da Silva (Pai Zequinha), o Taata Pokó do Terreiro São Jorge Filho da Goméia, de Mãe Mirinha de Portão, servindo ao Nkisi Mutalombô, foi fundado o Terreiro Mokambo – Onzó Nguzo za Nkizi Dandalunda Ye Tempo.

A partir daí começaram definitivamente os trabalhos religiosos e hoje o Terreiro conta com um número significativo de seguidores fixos e de amigos do Terreiro que unidos buscam recursos para a manutenção do mesmo que hoje conta com mais de 1200 m2 de área construída e um remanescente de Mata Atlântica que está sendo alvo de Reconhecimento como Área de Proteção Constante.

Depois do Terreiro construído e de estar em plena atividade religiosa, foi descoberto que existe a possibilidade da área do Terreiro ser remanescente de Quilombo, pois o Terreiro está numa área de desmembramento de uma fazenda chamada Fazenda Mokambo que em Kikongo quer dizer casebre, palafita ou cumeeira, logo ficou estabelecida a ligação da energia existente no local com o Terreiro que sem dúvida é um local aprazível e detentor de uma energia positiva que salta aos olhos dos visitantes e seguidores do Terreiro.

O Terreiro Mokambo – Onzó Nguzo za Nkisi Dandalunda ye Tempo é representante da cultura Bantu com a seguinte árvore genealógica:

  • Manuel Severiano de Abreu (Jubiabá) – Bisavô de Nkisi
  • João Alves Torres Filho (Joãosinho da Goméia) – Avô de Nkisi
  • Altanira Maria Conceição Souza (Mirinha de Portão) – Mameto dya Nkisi
  • Anselmo José da Gama Santos (Taata Anselmo) – Taata dya Nkisi

Como podemos observar, estamos na quarta geração de manutenção da Tradição Bantu, muito embora tenhamos passado por diversas alterações no decorrer dos anos, hoje nosso trabalho é tentar resgatar inúmeros elementos da cultura Bantu esquecidos ou que tenham suas práticas abandonadas, com o entendimento de que nunca haverá Candomblé puro, pois com o advento da escravidão todas as etnias africanas irmanaram-se e trocaram informações entre si tão concisas que nada mais será capaz de mudar esta realidade. O Candomblé que praticamos é de raiz africana porém é o Candomblé Brasileiro, com suas nuances, seus toques mágicos, seus sabores e seus saberes característicos. Sem querer polemizar, nossa crença é de que ninguém está errado o que difere um Candomblé do outro é a Etnia a qual ele pertence e quando é da mesma Etnia e mesmo assim é diferente prevalece o toque pessoal do Responsável pelo Terreiro, pois, uma das coisas mais respeitadas dentro da cultura afro-brasileira é a força da INDIVIDUALIDADE, que realmente faz tudo ter sua forma especial e personalizada. Não podemos mudar ou deturpar uma tradição, mas podemos desenvolvê-la do nosso jeito, trazendo-a para o mais próximo do que aprendemos. Cada ser humano tem seu brilho próprio. Desenvolvemos no Terreiro Mokambo um trabalho sério de manutenção da tradição religiosa dentro da linha hierárquica da nossa tradição recebida de nossos antecessores sem no entanto deixar de personalizar nosso trabalho sempre atento para as lições do passado entretanto com os olhos voltados para o futuro visando a longevidade, a compreensão e a aceitação plena de nossa religião.

Nossas atividades religiosas foram compiladas num Calendário que oferecemos para consultas das datas de nossas celebrações religiosas abertas ao grande público.

A tradução do nome religioso do Terreiro Mokambo é a seguinte:

Onzó Nguzo za Nkisi Dandalunda ye Tempo

Casa da Força Espiritual das Divindades Dandalunda e Tempo